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quarta-feira, 8 de julho de 2020





A ORIGEM DA PALAVRA "ENCRENCA"

Quando nos encontramos em algum tipo de infortúnio, várias são as palavras usadas para mostrar o nosso desespero ou infelicidade. Muitas vezes, o desejo de exteriorizar a infelicidade causada pela situação, leva a utilizar muitas palavras que nem imaginam sua origem e significado. Talvez esse seja o caso da palavra "encrenca", que seja tão corrente no nosso vocabulário cotidiano, que acabe até mesmo se transformando em verbo.

Para recuperar uma história desse termo, temos que deslocar para o Brasil na passagem dos séculos XIX e XX. Nesse período, os portos brasileiros receberam um grande número de estrangeiros que fugiram das conturbações causadas pelo fim do regime antigo e como crises econômicas do próprio sistema capitalista. Vale lembrar que vários imigrantes chegaram até aqui com a esperança de enriquecer trabalhando nas crescentes lavouras de café.

Nesse contexto de transformação e instabilidade, vemos que muitas famílias de pobres da Europa ainda sofrem com as primeiras ondas antissemitas. Em alguns casos, essas famílias são entregues como seus filhos para agentes que prometem organizar um bom casamento com um rico comerciante que prosperará em terras americanas. Tomados pelo desespero, muitos chefes de família acabaram deixando de levar por essas promessas enganosas.

Em muitos casos, já durante uma viagem, esses jovens descobriram que estavam sendo contrabandeados como escravos sexuais em diferentes cidades do continente americano. Chegando ao Brasil, essas prostitutas judias permaneceram como “polacas” e, usando sua recorrência, integraram a vida e o imaginário de vários bairros que compunham a vida noturna carioca e paulista.

Naturalmente, essas mulheres sofreram uma enorme discriminação por conta da posição marginalizada que ocupou na sociedade da época. Tanto as autoridades oficiais quanto as comunidades judiciais do Brasil reservaram um grande silêncio sobre a situação dessas mulheres. Contudo, essas prostitutas buscam vínculos de solidariedade que podem oferecer algum tipo de garantia.

Em muitos casos, essas prostitutas utilizadas ou iídiche - língua bastante usada pelos judeus da Europa Central e Oriental - são para dar recados entre si. Durante o seu trabalho, ao suspeitar de um cliente que causa algum tipo de doença venérea, elas são chamadas ou sujeitas a “ein krenke”. Na língua, o termo era comumente usado para definir uma ideia de “doença”. Naturalmente, a popularização do termo acabou ficando abrasileirada para a nossa conhecida “encrenca”

Rua das Marrecas

Nome consagrado pelo povo que tomou como medalha como aves de bronze de bicos jorrava água, pequeno e delicado chafariz. Uma obra, de Mestre Valentim, foi feita, em 1735, por ordem do vice-rei Dom Luiz de Vasconcelos e Souza, na rua que manda abrir para melhor acesso ao Passeio Público. Designada Rua das Belas Noites, iniciada nos Barbonos (atual Evaristo da Veiga), onde fica o chafariz e a vinha até o portão do Jardim.

Por diversas vezes mudaram-o o nome oficial. O povo a tudo ajuda, mas não aderia; para ele, sempre foi das Marrecas, nome oficial apenas a partir de 1964.

Durante certo período foi a rua da má fama, cheia de "pensões" de "francesas". Na verdade, polonesas judias, fugas de terra e colmas pelas malhas de Zwig Migdal, organização internacional de exploração de escravas brancas. Quando os namorados e as “capoeiras” invadem uma rua, como moças se escondem e recusam-nos, mandam dizer o que tinham no Kranke (uma doença, em parte).

A HISTÓRIA DAS POLACAS

Com uma imigração, famílias judaicas chegaram ao território brasileiro e junto com uma parcela de jovens mulheres iludidas por aliciadores, que prometem uma vida melhor no Brasil. Entretanto, a realidade não era bem assim e elas acabavam trabalhando como prostitutas.

Conhecida popularmente como polacas, essas jovens mulheres desembarcaram no Brasil e seguiram para o centro de São Paulo, principalmente na região do Bom Retiro, outras ficaram na região de Santos. As outras pessoas desembarcaram no Rio de Janeiro, até então a capital do Brasil, e as mulheres mais novas, tiveram um destino certo: uma cidade de Buenos Aires, capital da Argentina e sede da organização Zwi Migdal *.

* Zwi Migdal - Sociedade que atuou entre os anos de 1860 e 1939 no Leste Europeu, traficando mulheres e levando-as para a América do Sul para trabalhar como prostitutas. Sua sede era em Buenos Aires, possuindo filiais e administrando prostíbulos em diversas cidades brasileiras, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo.

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