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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Mestre Nenel Verdadeiro Herdeiro Da Luta Regional Baiana




MESTRE NENEL FILHOS DE BIMBA CAPOEIRA REGIONAL DA BAHIA-BA

A Filhos de Bimba Escola de Capoeira (FBEC), está localizado no centro histórico de Salvador da Bahia, o Pelourinho. Foi fundada em 10 de junho de 1986 por Manoel Nascimento Machado, Mestre conhecido como Nenel. Mestre Nenel é continuar o trabalho de seu pai - o famoso Mestre Bimba, criador da Capoeira Regional - através da preservação e continuação da metodologia, princípios e tradições estabelecidas por seu pai. O FBEC também tem vários centros e escolas localizadas em outros bairros de Salvador, bem como em outras cidades no Brasil e no mundo.

Fundação Mestre Bimba Rua Gregório de Matos, 51 Centro Histórico - Salvador - Brasil Tel: (71) 3322-5082 E-mail: menenel@gmail.com

Mestre Bimba



Manuel dos Reis Machado (Mestre Bimba), nasceu em 23 de novembro de 1899, no bairro de Brotas, Engenho Velho, cidade de Salvador da Bahia. O filho de Luís Cândido Machado, um jogador famoso batuque, e Martinha do Bonfim, ele se tornaria um dos homens mais bem conhecido e reverenciado na Bahia.

Numa altura em que a capoeira ainda era marginalizada, Bimba tendo exercido várias profissões, mas ele também se destacou na capoeira. Devido à intensa perseguição que os praticantes de capoeira experiente, tornou-se óbvio para Bimba que a forma de arte estava morrendo. Como foi se tornando cada vez mais folclórico, também foi perdendo seu aspecto de luta original. Um homem à frente de seu tempo, imaginou uma capoeira  renovada e ele partiu para fazer essas mudanças, transformando o velho em capoeira que ele chamou de Luta Regional Baiana.  Desenho de suas habilidades, nesta capoeira velha e Batuque (que ele aprendeu com seu pai), Bimba criou o seu novo estilo de capoeira, acreditando fortemente que poderia se tornar tão respeitável como as outras artes marciais que tinham vindo para o Brasil da Ásia. Em 1932, Mestre Bimba fundou a primeira academia de capoeira em Engenho Velo das Brotas e também continuou a ensinar nas casas das pessoas. Em 9 de junho de 1937, Bimba oficialmente registrou sua escola de capoeira com a Secretária de Serviços de Saúde, Educação e público - tornou-se sua, a primeira academia de capoeira legítimo no Brasil. Bimba ensinou capoeira, eventualmente, no serviço militar, e, em seguida, em 1942, ele abriu sua academia.

Foi em 23 de julho de 1953, quando o presidente Getúlio Vargas assistiu a uma apresentação de capoeira no Palácio da Aclamação e declarou que - "a única verdadeira capoeira" - um esporte nacional, que a capoeira Bimba entrou numa nova fase. A Capoeira de Mestre Bimba ganhou rapidamente notoriedade - ele teve sua parcela de críticos, muitos deles dos mais antigos praticantes de capoeira que criticaram iniciativas criativas de Bimba. Ele foi denunciado como tendo "embranquecida" a arte da capoeira e, assim, traiu seu passado. Ironicamente, Mestre Bimba era bem versado na cultura afro-baiana, tendo batia nas casas afro-brasileiros do candomblé por muitos anos e ter se casado com uma Mãe de Santos, o chefe de um Terreiro. Ele reviveu muitas das danças folclóricas que foram sendo deixados pelo caminho, como maculelê, puxada de Rede e samba de roda, tendo orgulho na herança afro-baiana e apresentá-las para um público de classe média e alta pela primeira vez. Hoje, quase todo academia pratica uma dessas formas de arte e apresentações são comuns, graças aos esforços de Bimba.

Um jogador talentoso berimbau - alguns dizem que um dos melhores da Bahia - Bimba ressaltou a importância da música na capoeira, tanto na criação da roda e nos próprios jogos. O afastamento da música moderna capoeira (muitas vezes referida como Regional, mas mais precisamente descrito como um estilo contemporâneo) é uma conseqüência das mudanças trazidas por alguns alunos de Bimba e seus descendentes, e não reflete sua própria filosofia.

Graças ao Mestre Bimba, a capoeira decolou na Bahia e, eventualmente, se expandiu para o resto do Brasil, onde tinha sido apagado por perseguição. A velha forma de capoeira também se beneficiou do trabalho de Bimba, como ele forçou seus adeptos antigos para se unirem e tentar definir a sua arte a partir. O termo "Capoeira Angola" começou a ser usado, substituindo os termos mais comuns "Vadiação", "Brincadeira de Angola", ou simplesmente "Capoeira".

Em 1973, Mestre Bimba se mudou com sua família inteira para o estado de Goiás, uma decisão muito controversa, e que ele tomou na amargura, sentindo que as autoridades do estado da Bahia não reconhecer o valor de seu trabalho. Infelizmente, suas expectativas em Goiás não foram cumpridos e que ele e sua família lutou com a pobreza. Mestre Bimba morreu de um acidente vascular cerebral em Fevereiro 5, de 1974, sem dúvida, provocada por sua grande tristeza.

Mestre Nenel

Manoel Nascimento Machado (Mestre Nenel), nasceu em 26 de setembro de 1960 no bairro do Nordeste de Amaralina, da cidade de Salvador da Bahia. O filho de Manoel dos Reis Machado (Mestre Bimba) - criador da Capoeira Regional - e da Berenice Conceição Nascimento, ele foi criado por Alice Maria da Cruz (conhecido como Mãe Alice).

Como uma criança jovem, Nenel passou muitos de seus dias no seu pai capoeira da escola, o Centro de Cultural Física Regional, localizada no bairro Laranjeiras Antigas. Foi aqui que ele deu seus primeiros passos na capoeira, graduando-se em 1967 com muitos de seus irmãos. Mestre Bimba começou a usar a capoeira de uma forma que difere dramaticamente de seus antecessores: ele via como uma prática educativa que poderia ajudar as crianças se tornam adultos respeitados com um lugar na sociedade. Esta ideia, foi revolucionária no momento em que a capoeira foi igualada com uma população pobre e marginalizada dos homens predominantemente negros. Exemplo de Mestre Bimba foi seguido por muitos outros que entenderam o seu potencial educativo, capoeira e desfrutou de uma onda de popularidade como ele foi trazido para a sociedade em geral.

Em 1972, Mestre Bimba e sua família se mudou para a cidade de Goiânia no estado de Goiás. Este movimento era a grande tristeza de muitos baianos que tinha considerado Mestre Bimba um herói nacional. Mestre Bimba morreu em Goiânia em 5, fevereiro, 1974. Embora alguns de seus ex-alunos continuou a ensinar no Brasil e no exterior, eles começaram a seguir seus próprios caminhos de capoeira, adaptando e mudando Capoeira Mestre Bimba Regional para atender às suas próprias necessidades. Trabalho de Mestre Bimba não foi tomado em por qualquer um de um longo tempo. Nenel, como muitos de seus irmãos e irmãs, trabalhou em várias ocupações diferentes tentando fazer face às despesas. Então, em 1975, ele ouviu o chamado de capoeira. Apesar de muitas dificuldades, Nenel se mudou para Brasília, onde fundou sua primeira academia, a Associação de Capoeira Regional Mestre Bimba Filho.

Nenel voltou para a Bahia em setembro de 1977 e começou a competir em campeonatos de capoeira, bem como jogar capoeira de rua e se apresentando em shows folclóricos, assim como ele continuou a trabalhar em vários empregos. Então, em 1984, foi dada a tarefa de administrar aulas na academia do Mestre Moise Sucuiba, no bairro Vale das Pedrinhas. Durante esses dois anos, seu desejo de fundar uma nova academia totalmente comprometido com a preservação e promoção do trabalho de seu pai nasceu. Sua visão finalmente se tornou realidade quando, em 10 de junho de 1986, ele fundou a Filhos de Bimba Escola de Capoeira com base na Academia de Fitness de Genivaldo Garcia, bairro de Amaralina. Em 1989, Nenel foi convidado a participar num projeto educativo da Escola de Artes e Ofícios, onde transferiram a Filhos de Bimba escola. Muitos dos antigos alunos de Mestre Bimba começou reunindo em torno dele, respondendo a seu convite para trabalhar em conjunto para preservar a Capoeira Regional de Bimba. Mestre Nenel  começou a decolar quando ele ganhou reconhecimento no Brasil e no exterior como referência para a Capoeira Regional.

Mestre Nenel é membro fundador e atualmente preside a Fundação Mestre Bimba, que foi criado em 30 de novembro de 1994. Um jogador habilidoso, ele oferece cursos de música com o objetivo de preservar grande parte da rica herança musical da Capoeira Regional, uma herança que estava em vias de ser perdido. Através da criação de vários projetos sociais, visando, crianças e adolescentes, como o Projeto Capoerê, em que as crianças dos bairros pobres são oferecidas aulas gratuitas de capoeira, Mestre Nenel deu continuidade ao trabalho educativo iniciado por seu pai. Muitos de seus professores atuais, agora homens e mulheres jovens, já foram alunos do Projeto Capoerê. Eles continuam os ensinamentos de Mestre Bimba  e a mensagem de esperança e dignidade.


sábado, 3 de agosto de 2019

DIA DO CAPOEIRISTA É COMEMORADO EM TODO O BRASIL

         
 
DIA DO CAPOEIRISTA É COMEMORADO EM TODO O BRASIL.


Artigo de Paulo Henrique Menezes da Silva (Mestre Paulão Kikongo)¹, conselheiro titular do CNPC e membro do Colegiado de Patrimônio Imaterial, publicado originalmente em Berimblog
Em todo o Brasil o dia 3 de agosto é comemorado como o Dia do Capoeirista. Apesar da nossa capoeira merecer todas as homenagens possíveis, faz-se necessário esclarecer alguns pontos importantes relativos a esta data.
As primeiras leis de que temos notícia sobre a criação do Dia do Capoeirista, é a Lei Estadual nº 4.649 de 7 de agosto de 1985 do estado de São Paulo, de autoria do deputado Tonico Ramos, que, no ano de 1984 fez o Projeto de Lei Nº 0666/84 o qual foi publicado no dia 12/10/1984 e cuja ementa criava o Dia do Capoeirista e ainda a Lei Municipal nº 9.994/85 – SP, sancionada pelo Prefeito Mario Covas no dia 1 de novembro de 1985.

         Mestres Paulão Kikongo, Machado e Chita

A Lei nº 4.649 de 07 de agosto de 1985 foi sancionada pelo governador Franco Montoro. O texto era bem simples e com apenas dois artigos que diziam que ficava instituído o “Dia do Capoeirista” a ser comemorado, anualmente, no dia 3 de agosto e que a referida lei entraria em vigor na data de sua publicação.
Procuramos em diversas plataformas online e não encontramos (nem mesmo no site da assembleia legislativa e dos governos estadual e municipal) justificativa do porque a data de 3 de agosto ter sida escolhida para homenagear os e as capoeiristas do estado e município de São Paulo.
A CONSTITUIÇÃO FEDERAL, O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL, A FIXAÇÃO DE DATAS COMEMORATIVAS E O DIA DO CAPOEIRISTA
A Constituição Federal de 1988 em seu artigo 215 § 2º é bem clara quando diz que a “lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes seguimentos étnicos nacionais” (BRASIL, 2016).
A Lei 12.288, de 20 de julho de 2010 que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial em seu Art. 19º diz que “o poder público incentivará a celebração das datas comemorativas relacionadas à trajetória do samba e de outras manifestações culturais de matriz africana, bem como sua comemoração nas instituições de ensino públicas e privadas” (BRASIL. 2010). Já a instituição de datas comemorativas foi regulamentada pela Lei nº 12.345, de 9 de dezembro de 2010, segundo a qual ela obedecerá ao critério de alta significação para os diferentes segmentos […] que compõem a sociedade brasileira, a teor de seu Art. 1º. A instituição de datas comemorativas que vigorem no território nacional obedecerá ao critério da alta significação para os diferentes segmentos profissionais, políticos, religiosos, culturais e étnicos que compõem a sociedade brasileira (BRASIL, 2010).
Portanto, acreditamos que as demais leis que vieram a instituir o Dia da Capoeira e/ou o Dia do Capoeirista deverão, antes de serem aprovadas nas devidas casas legislativas, passar por consulta prévia junto aos seguimentos interessados, não apenas porque prevê a lei federal, mas para que, acima de tudo, a legislação tenha legitimidade junto à comunidade interessada.
DE PERSEGUIDA PELO ESTADO BRASILEIRO A PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE
Perseguida pelo Estado brasileiro, com artigos específicos no código penal instituído pelo Decreto Nº 847 de 11 de outubro de 1890, que dedicou a ela um capítulo inteiro, dos vadios e capoeiras, que, dentre outras coisas dizia:
Art. 402. Fazer nas ruas e praças publicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação capoeiragem; andar em correrias, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, provocando tumultos ou desordens, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal:
Pena – de prisão Celular por dois a seis meses.
Parágrafo único. E’ considerado circunstancia agravante pertencer o capoeira a alguma banda ou malta.
Aos chefes, ou cabeças, se imporá a pena em dobro. 
Art. 403. No caso de reincidência, será aplicada ao capoeira, no grau máximo, a pena do art. 400.
Parágrafo único. Se for estrangeiro, será deportado depois de cumprida a pena. 
Art. 404. Si nesses exercícios de capoeiragem perpetrar homicídio, praticar alguma lesão corporal, ultrajar o pudor publico e particular, perturbar a ordem, a tranquilidade ou segurança publica, ou for encontrado com armas, incorrerá cumulativamente nas penas cominadas para tais crimes.²
Mas após um longo período de repressão, foi em 1930 que a “liberação” da capoeira veio a acontecer. Hoje praticada em mais de 160 países e reconhecida pelo estado brasileiro como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial em 2008 e como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 2014, entendemos que há tempos vários projetos de lei tentam, de alguma forma, institucionalizar a nossa capoeira. 
O QUE DIZEM AS LEIS CRIADAS NOS ESTADOS E MUNICÍPIOS
No caso do Dia da Capoeira ou do Dia do Capoeirista, diversas são as leis existentes em estados e municípios brasileiros. A seguir apresentamos algumas destas legislações para que tenham conhecimento ou mesmo, caso já os tenha, possam analisar com tranquilidade o que discutimos neste artigo.
REGIÃO SUDESTE
Além de São Paulo há, no Rio de Janeiro, a Lei Estadual nº 3.778 de 15/03/02, (de autoria do então deputado Arthur Messias – PT/RJ) que instituiu o Dia da Capoeira, a ser comemorada no dia 23 de novembro de cada ano, data esta em homenagem a Manoel dos Reis Machado (Mestre Bimba).  Posteriormente está lei foi alterada pela Lei Estadual Nº 6732 de 26 de março de 2014, de autoria do deputado Paulo Ramos – PSOL/RJ, que mudou a data do dia da Capoeira para o dia 03 de agosto de cada ano. A justificativa foi de que a data estava sendo mudada para que se unificasse o calendário oficial do estado do Rio de Janeiro com a data do calendário oficial nacional. Sendo que, caso não saibam, não existe no Brasil o Dia Nacional da Capoeira e nem o Dia Nacional do Capoeirista, o que poderemos ver logo a seguir não sem antes conhecermos mais algumas datas comemorativas de outros estados e municípios.No estado do Rio de Janeiro, tem, ainda, na cidade de Niterói/RJ a Lei Nº 2.147 de 25 de junho de 2004, de autoria do então vereador Renê Xavier Barreto, que apresentou, em 2003, após uma solicitação da Liga Niteroiense de Capoeira na época dirigida por mim, Mestre Paulão Kikongo e Mestre Tio Robson o Projeto de Lei 172/2003.  A referida lei instituiu na cidade a data de 23 de novembro como o Dia da Capoeira em homenagem ao Mestre Bimba e autoriza o Poder Executivo a incentivar nas escolas da Rede Pública Municipal atividades comemorativas à referida data.
Também na cidade de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, foi sancionada a Lei Municipal Nº 009/2005 de autoria do então vereador Edson da Silva Mota (Mota da Coopasa), que instituiu o Dia Municipal da Capoeira a ser comemorado no dia 05 de maio de cada ano. Esta lei surgiu através de nossa iniciativa, quando assessor parlamentar e de meu Mestre, José Machado e do Mestre Tio Robson. A escolha desta data é uma homenagem a Manoel dos Santos Francisco (Mestre Manoel Gato Preto), uma das grandes referências da capoeira na cidade de São Gonçalo/RJ. A lei prevê parceria com a Liga Gonçalense de Capoeira que, em comum acordo com os e as capoeiristas da cidade definirão os locais onde esta data será comemorada. 
REGIÃO NORDESTE
No estado do Ceará o Dia da Capoeira, comemorado no dia 20 de novembro foi instituído pela Lei Estadual nº 14.925 de 24 de maio de 2011 e publicada no diário oficial do estado no dia 02 de junho de 2011. Dentre os objetivos da lei estão: disseminar o conhecimento sobre a Capoeira no contexto cultural; desenvolver ações que visem o conhecimento e a disseminação da prática da capoeira como esporte e incentivar, por meio de seminários, palestras, concursos e rodas de capoeira, a perpetuação da capoeira como cultura afro-brasileira.
No município de Fortaleza através da Lei Nº 10.077, de 28 de junho de 2013, foi criado o Dia Municipal da Capoeira, a ser celebrado anualmente na semana que incidir o dia 3 de agosto e que esta data constará do calendário oficial de eventos do município. A referida lei diz ainda, em seu Art. 2º que os eventos que acontecerem no decorrer do referido dia serão realizados em locais públicos, de preferência ao ar livre e sem cobrança de quaisquer taxas ou ingressos. Esta lei já foi motivo de debates e de um artigo intitulado “A Luta do Capoeirista pelos Direitos Culturais: Dia do Capoeirista em Fortaleza”, de autoria de José Olímpio Ferreira Neto e Francisco Humberto Cunha Filho, ambos membros do Grupo de Estudos e Pesquisas em Direitos Culturais – GEPDC. Segundo os autores, o artigo “tem o objetivo de discutir a relação entre as datas comemorativas e/ou feriados e a luta pelos direitos Culturais. Descreve a luta dos Mestres de Capoeira no município de Fortaleza por um Dia do Capoeirista com significado para os mesmos” (FERREIRA NETO e CUNHA FILHO, 2013).
E O DIA NACIONAL DA CAPOEIRA? EXISTE OU NÃO?
Finalizando, fomos buscar no site do Senado Federal o PLC (Projeto de Lei da Câmara) 17/2014, que institui o Dia Nacional da Capoeira. Oriundo do Projeto de Lei Nº 7.536, de 2010, de autoria do Deputado Federal Márcio Marinho (PRB/BA) que propõe instituir o Dia Nacional da Capoeira, a ser comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro, em todo o território nacional.
Segundo o parecer do relator da Comissão de Educação, Cultura e Esporte, então senador Aníbal Diniz (PT/AC), em sua justificação, o autor do projeto destaca que “a capoeira se desenvolveu enfrentando resistência e preconceito de parte da sociedade brasileira”. Segundo ele em seu relato, “a capoeira, cujas origens remontam às estratégias de resistência dos africanos escravizados em território brasileiro, tornou-se um dos mais importantes símbolos da cultura nacional” (SENADO FEDERAL, 2014).
O parecer diz ainda que o “registro como patrimônio imaterial, por iniciativa do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), representou o resgate de uma enorme dívida histórica com o povo negro”. E que “da mesma forma, ao incluir no Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288, de 20 de julho de 2010) o reconhecimento da capoeira como desporto nacional, o Estado demonstrou sua preocupação com a valorização da pluralidade das manifestações da nossa cultura” Portanto, afirma o relator, “a instituição do Dia Nacional da Capoeira reafirma a relevância dessa manifestação de arte-luta para a sociedade brasileira e estabelece um importante momento de reflexão sobre o papel do negro na nossa formação histórica e cultural” (SENADO FEDERAL, 2014).
Apesar da importância histórica da nossa capoeira, o relator do PLC 17/2014 acredita que seria conveniente evitar a sobreposição de datas e propõe, ao invés de se comemorar o Dia Nacional da Capoeira no dia 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, que a data a ser celebrada seja o dia 15 de julho, data em que o Estado brasileiro reconheceu a capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial do país no ano de 2008, através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN/MINC. O Senador Aníbal Muniz (PT/AC), relator da matéria, acredita que ao associar a efeméride ao recente registro da arte-luta como Patrimônio Imaterial, estará relacionando a comemoração com uma das mais importantes características da capoeira: sua diversidade de estilos e manifestações regionais.
Segundo Juliana Monteiro, do blog Biblioteca da Capoeira, “atualmente a capoeira vivencia uma fase de grande importância em sua trajetória. Dando uma volta ao mundo, a capoeira foi das senzalas ao Senado. Nesse momento, presenciamos a execução de políticas públicas específicas para a capoeira, cabendo a nós participar ativamente desse processo”. (JULIANA MONTEIRO, 2011).
CONCLUSÃO
Portanto, podemos concluir que no Brasil, apesar de diversos sites, veículos de comunicação e centenas de milhares de capoeiristas comemorarem o Dia Nacional do Capoeirista no dia 3 de agosto, esta data oficialmente não existe.
Cabe ressaltar que, ainda assim, acreditamos que haja por este país afora vários estados e municípios com legislações relacionadas a datas comemorativas que contemplem a nossa capoeira, mas esta é uma análise que faremos em outro momento, nos aprofundando mais sobre o tema.
Para todos e todas onde a capoeira tem legislação própria (ou ainda não) para este dia, um Feliz Dia do e da Capoeirista, lembrando que devemos a cada dia celebrar os momentos que vivemos nesta arte que encanta, e na roda, através de suas músicas, canta o Brasil e o mundo. Iê Volta do Mundo Camará!  

REFERÊNCIAS:

BRASIL. Decreto Nº 847 de 11 de outubro de 1890. (Código Penal dos Estados Unidos do Brasil). Disponível em: <http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=66049> Acesso em: 02/08/2017.
_________. Lei Nº 12.288, de 20 de julho de 2010 (Estatuto da Igualdade Racial). Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12288.htm> Acesso em: 02/08/2017.
_________. Lei Nº 12.345, de 9 de dezembro de 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12345.htm> Acesso em: 02/08/2017.
SÃO PAULO. Projeto de Lei Nº 0666 de 1984. (Cria o Dia do Capoeirista). Disponível em: <http://www.al.sp.gov.br/propositura/?id=159302> Acesso em: 02/08/2017.
__________. Lei Nº 4649 de 7 de agosto de 1985 (Diário Oficial de São Paulo). Disponível em: <http://dobuscadireta.imprensaoficial.com.br/default.aspx?DataPublicacao=19850808&Caderno=DOE-I&NumeroPagina=1>. Acesso em 02/08/2017.
__________. Lei Nº 4649 de 7 de agosto de 1985. (Assembleia Legislativa do estado de SP). Disponível em: <http://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/1985/lei-4649-07.08.1985.html>. Acesso em: 02/08/2017.
CEARÁ. Lei Estadual nº 14.925 de 24 de maio de 2011. Disponível em: <https://www.al.ce.gov.br/legislativo/legislacao5/leis2011/14925.htm>. Acesso em 02/08/2017.
MONTEIRO, Juliana. 03 de agosto – Dia do Capoeirista – afinal quando é? 2011. Disponível em: <http://bibliotecadacapoeira.blogspot.com.br/2011/08/dia-do-capoeirista-afinal-quando-e.html> Acesso em: 02/08/2017.
_________. 03 de agosto – dia do capoeirista – Ainda em busca de uma explicação… 2012. Disponível em: <http://bibliotecadacapoeira.blogspot.com.br/2012/08/03-de-agosto-dia-do-capoeirista-ainda.html> Acesso em: 02/08/2017.
FORTALEZA. Lei nº 10.077, de 28 de junho de 2013 (Lei do Dia do Capoeirista). Disponível em: <https://leismunicipais.com.br/a/ce/f/fortaleza/lei-ordinaria/2013/1007/10077/lei-ordinaria-n-10077-2013-cria-no-ambito-do-municipio-de-fortaleza-o-dia-do-capoeirista-2013-06-28.html>. Acesso em: 02/08/2017.
SÃO GONÇALO. Lei Municipal Nº 009, de 03 de maio de 2005 (Lei do Dia da Capoeira). Disponível em: <https://portal.pmsg.rj.gov.br/pmsaogoncalo/websis/siapegov/legislativo/leis/formata_lei.php?Fnumero=009/2005&Fpromulgacao=04-05-2005>. Acesso em: 02/08/2017.
NITERÓI. Lei Municipal Nº 2.147 de 25 de junho de 2004. (Lei do Dia da Capoeira). Disponível em: <http://www.ceaam.net/ntr/legislacao/leis/2004/L2147.htm> Acesso em: 02/08/2017.
Por: Mestre Chuvisco        
Professora: Railda Santana

sábado, 29 de junho de 2019

PARA TOCAR O BERIMBAU.



  



É preciso  dominar seus sete componentes: - A BAQUETA - Vareta de Madeira, que mede 30 e 40 cm, é batida contra a corda para emitir o som.
DOBRÃO: - Normalmente é uma moeda velha mas, ha quem use uma pedra em seu lugar. Ela é segurada entre o polegar e o indicador fazendo variar as notas emitidas pelo berimbau, dependendo da pressão que faz na corda.
CABAÇA - O fruto seco e limpo da cabaceira( árvore comum no norte do Brasil) tem o formato de uma cuia e funciona como caixa de ressonância.
CORDA- Um fio de arame de aço bem esticado, costuma ser retirado de pneus radiais. Isso a partir de 1919 pois, há relatos que, quando Jean-Baptiste Debret Pintor francês foi convidado pelo Imperador em 1816 para contar a história do Brasil através de seus quadros, ele se deparou com um ex-escravo tocando berimbau e nessa época a corda do tal instrumento era de aram de latão que era usado para amarrar os fardos de algodão.
AMARRAÇÃO DA CABAÇA -  Barbante que prende a cabaça à verga ajuda a passar para ela o som emitido pela corda.
CAXIXI - Pequeno chocalho ( com pedrinhas, sementes, ou búzios) reforça a marcação do ritmo.



              Pesquisa por: Mestre chuvisco
                                                      
              Editado por: Professora Railda Santana

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Jean Debret: obras importantes e documentos históricos do Brasil no século XIX.








                             Jean-Baptiste Debret

 Foi um importante artista plástico (pintor e desenhista) francês. Nasceu em 18 de abril de 1768, em Paris, e faleceu na mesma cidade em 28 de junho de 1848. Debret integrou a Missão Artística Francesa que chegou ao Brasil em 26 de março de 1816. Suas obras formam um importante acervo para o estudo da história e cultura brasileira da primeira metade do século XIX.



Biografia (principais momentos da vida do artista):



- Na juventude, Debret estudou na Escola de Belas Artes de Paris. Estudou também engenharia no Institut de France.

- Debret atuou durante um tempo na área de engenharia, porém, no final do século XVIII retornou para a pintura.

- Em 1798, expôs no salon a tela Le général méssénien Aristomène delivré par une jeune fille. Com esta pintura ganhou um prêmio. 

- Em 1816, integrou a Missão Artística Francesa, organizada por D. João VI de Portugal, cujo objetivo principal era fundar no Brasil a Academia de Belas Artes.

- Viveu 15 anos no Brasil (até 1831), onde organizou sua grande obra: o livro ilustrado Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Nesta obra apresenta diversas pinturas sobre o povo brasileiro, paisagens, sociedade, cultura e arquitetura do Brasil. As 153 pranchas foram acompanhadas por textos descritivos.

- Nos anos de 1834, 1835 e 1839 publicou na Europa, respectivamente, os três tomos de sua obra Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil.

Principais características do estilo artístico de Debret:

- Debret é considerado um artista cujas obras se enquadram no estilo romântico. Porém, alguns estudiosos de artes plásticas, consideram Debret como um pintor do neoclassicismo.

- Antes de morar no Brasil, retratou na França temas religiosos, bélicos e ligados ao imperador francês Napoleão Bonaparte.

- Suas obras, no Brasil, mostram paisagens, cenas cotidianas, a cultura e o povo brasileiro.

- Com cores vivas, suas aquarelas mostram sentimentos e emoções das figuras retratadas. O individualismo, característica das obras românticas, também se faz presente em suas pinturas.

- Detalhista, Debret buscou retratar, com o olhar de um viajante, todos os aspectos das cenas e regiões retratadas.



obra de Debret




 Interior de uma casa cigana (1820)









Principais obras de Debret na fase europeia:

- Régulus voltando a Cartago (1791)

- Le général méssénien Aristomène delivré par une jeune fille (1798)

- Primeira distribuição das cruzes da Legião de Honra (1804-1812)

- O médico Esístrato descobrindo a causa da moléstia do jovem Antíoco (1804)

- Napoleão presta homenagem à coragem infeliz (1805)

- Napoleão em Tilsitt condecorando com a Legião de Honra um soldado russo (1808)

- Napoleão falando às tropas (1810)

- A primeira distribuição de cruzes da Legião de Honra na Igreja dos Inválidos (1812)

Algumas obras da coleção Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil

- Caçador de Escravos (1820-1830)

- Interior de uma casa cigana (1820)

- Guerreiro indígena a Cavalo

- Escravidão no Brasil (castigo de escravo)

- Retrato de D. João VI

- Família de um chefe Camacan se preparando para uma festividade (1820-1830)

- Coroação de D. Pedro I (1822)

- Casamento de D. Pedro I (1829)

- Costumes dos ministros e secretários de Estado (1826)

- Tocador de Berimbau (1826)

- Família de Botocudos em marcha (1834)